Estou revoltadíssima, meus amores. Enfiaram sob a minha porta um bilhete anônimo no qual sou tratada por vagabunda e acusada de ser a vergonha do prédio e um perigo para moral e os bons costumes.

A revolta nem é tanto por ser chamada de vagabunda, é mais por se tratar de um bilhete anônimo, muito mal escrito por sinal, cheio de erros de ortografia e de concordância, tirando-me a oportunidade de esclarecer que puta não é vagabunda, que puta trabalha muito mais do que certas madames que não fazem porra nenhuma, exceto exatamente o mesmo que eu faço, com a diferença de fazer mecanicamente, de fazer eventualmente, de fazer sem arte, de fazer como se não estivesse fazendo para justificar a vida boa que leva às custas dos seus homens. Algumas nunca varreram uma casa, nunca lavaram pratos ou roupa, nunca suaram passando a ferro, nem na beira do fogão. E não fazem nada com a justificativa de que não querem quebrar a unha, não querem fazer calos nas mãos, não querem derreter a maquiagem... porque? Porque precisam estar sempre fresquinhas, bonitinhas, tas quais bonequinhas à disposição dos seus provedores. São o quê? São putas. E são vagabundas, não eu.
Obvio que isso é coisa de alguma vizinha, ou de mais de uma. Não quero acusar ninguém, mas suspeito de... Não, melhor não acusar porque não tenho certeza.
Mas eu sei exatamente o que pretendem. Pretendem me assustar. Pretendem me colocar na defensiva. Pretendem, tenho certeza, que eu me mude. Sabem por quê? Porque têm medo de mim. Porque vêm os olhos gulosos que os seus homens colam na minha bunda quando cruzam por mim nos corredores, no playground, nos elevadores. Têm medo, é isso. Se não tivessem não se esconderiam atrás do anonimato covarde. Pois bem. Já sei o que vou fazer: se o meu advogado não se opuser, eu vou fazer cópias xerox do bilhete, anexar esta minha resposta e enviar para todos os apartamentos.
Felizmente hoje é sexta-feira e tenho convite para passar o fim de semana em Campos do Jordão para onde sigo esta noite.
Beeeeeeeiiiiiiiiijoooooooooooos
Carlinha não se deixe levar pela ira, isso é inveja de alguma mal amada ou de algum broxa, deixe estar.
ResponderExcluirBom fim de semana com muito vinho e unzinho pra fazer a cabeça ou as cabeças.
Bjs
Unzinho o quê, Dilinha? Cê é louca, mulher?
ResponderExcluirCabeças? Cê tem mais de uma? Eu só tenho umazinha, amorzinho.
Bom fim de semana.
Beeeiiiiiiiiijjjjjjoooooooooooosssssssssss
Carla,
ResponderExcluirObrigada por seguir e deixo meu pensamento para você amiga.
Condição de Mulher (Maria do Carmo Lobato)
Fala baixo,podem escutar,
Geme e xinga baixinho
Pra não acordar o vizinho.
Cuidado,a cama está rangendo.
E deste jeito,gemendo,
Vai correr amanhã o boato
Que tu praticaste um ato
Eivado de desacato
À moralidade e ao Direito
Aos bons costumes e ao respeito.
E a vizinha,com inveja
Da tua simples liberdade
Que ela não consegue ter
Vai espalhar no condomínio
Que és um ser sem domínio
Predestinada a morrer
Que és uma gata perdida
Por certo ganhas a vida
Vendendo aos homens prazer.
Não vai ela entender nunca
No vai e vem da sua vida.
Que a sua vida não é vida
É obrigação de ser
Qualificada de esposa
E neste estado ela não ousa
Amar e sentir prazer
Pois, pela Religião,
Prazer é coisa do Cão
É coisa pra não se ter
Prazer é pecado mortal
O prazer fere a moral
E as virtudes do "Alto Ser".
A pobre vizinha escuta
Todos os dias no rádio
Que sentir prazer é pra puta
Que esposa é mulher "séria"
E a féria com que sustenta
Sua vida e de seus rebentos
Por certo não advém
de estar à disposição
De um homem que a sustém.
O sistema incutiu nela
Que a que está à disposição
De um só pelo seu tostão
Tem o "status" de esposa
Não se iguala à mariposa
Que troca o parceiro João
Pelo José ou o Romão
Desde que lhe pague o pão.
Aprende,vizinha amiga,
Que a tua condição é a mesma
Tendo até mais privilégio
A outra que está na zona
Pois esta não tem quem tome
Dela satisfação,
Trabalha o dia que quer
Ela é bem mais mulher
Na sua situação
Que uma "esposa" qualquer
Debaixo de repressão.
Mulher companheira,amiga,
O que é o Casamento
Se não ver teu sentimento
Menosprezado até o ponto
De transformá-lo em documento
Com efeito de sacramento?
Atenta pra encenação
desta imbecil instituição
Que te põe na posição
De prostituta em ação
Por não teres opção
De entregar teu sentimento
Pra quem ditar teu coração.
Este é o jogo do Sistema
No papel que dá à mulher,
Ou ela é Puta de Arena
Ou Puta de um só José.
Tendo até mais privilégio
ResponderExcluir"A outra que está na zona
Pois esta não tem quem tome
Dela satisfação,
Trabalha o dia que quer
Ela é bem mais mulher
Na sua situação
Que uma "esposa" qualquer
Debaixo de repressão."
Essa Maria do Carmo Lobato joga no meu time.
Obrigada Pat. Amei que você viesse e me deixasse este poema.
Beeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiijjjjjjooooooooooossssss
"os cães latem e a caravana passa" - então, baby, não te apoquentes - anônimos são seres rasteiros que se escondem debaixo da própria sombra!
ResponderExcluirbesos
(gosto muito que estejas também no escritoras suicidas)
*
Meu Deus! Que coisa mais louca, mais fantástica, mais orgástica Será que existe a palavra orgástica?. Se não existe passa a existir porque está sendo tão bom, tão intenso quando um orgasmo a sua presença no meu humilde blog, Líria. POETA que amo, assim mesmo, com todas as letras maiúsculas como a sua poesia. Não caibo em mim.
ResponderExcluirObrigada, Líria.
Beeeeeeeiiiiiiiijjjjjjjjjooooooooooossssssssssss
Deja que hablen,que digan,que piensen. Entre más lo hagan,más te favorece.
ResponderExcluirDejas huella, pese a quién le pese.
Besí.
Ehêhê, Caricia, parece que você é das minhas, menina.
ResponderExcluirBeeeeeeeeeeiiiiiijjooooooooooooooosssssss
as pessoas nem sempre são justas, o ciúme cega...
ResponderExcluirnão mude para agradar ninguém...
bejuxus!!!
Não mudo nem morta, Patrícia.
ResponderExcluirBeeeiiiiiiiiiiiijjjjjjooooooooosssssssss
Wol parabéns Blog bunitão!!!
ResponderExcluirbelo desabafo =D
mais vc as vezes nem tem que dar bola
a coisas desse tipo!!!
ah to te seguindo
se der passa la!!
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Uma dica, não gasta tua energia aonde não vale a pena...ignora, paz no seu coração.
ResponderExcluirOi Carla, teu texto é de estremecer, tua prosa é forte, e tua indignação legítima..
ResponderExcluirabrs!
Não esquente com pessoas assim,elas não valem a pena,ignorar é a melhor coisa.
ResponderExcluirAmei o blog e estou te seguindo querida!
ResponderExcluirOdeio hipocrisia! Estou contigo^^
Descobri vc por estar me seguindo, que honra a minha! ^^
Bjinhos
Branca
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOlá, Carla.
ResponderExcluirGostei do conto/crônica, seja real ou fictício. Flui e eleva uma discussão sobre o falso moralismo que impera num mundo onde homens e mulheres, a começar pelo poder, se prostituem, mas jogam pedras nas madalenas pequenas. Pobres delas, e nem adiantou a defesa que teve, invenção da igreja.
To conhecendo seu espaço agora e já seguindo. Fica o convite pra conhecer meu Empirismo Vernacular, seguir, comentar.
Olha acho que parte disto aqui vai virar aforismo por lá. Vira e mexe me sai um aforismo de algum comentário de texto que me agrada.
Ah, o texto anterior foi excluído por conter dois erros imperdoáveis de ortografia, ok?
Beijo,
Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com
Se talento dá vaga na academia, diferentemente do que diz o cancioneiro "academia é só mania de quem tem plata", a vaga é tua.
ResponderExcluirSaúde e felicidade.
João Pedro Metz
Caraca! Fico uns dias sem vir aqui e recebo esse montão de comentário. Putz! Agradeço comovida.
ResponderExcluirIvan, meu nêgo: pra mim todos os erros são perdoáveis, sobretudo os de ortografia. E tudo é real, até mesmo a ficção. Vou lá sim, claro que vou.
Estremecida fiquei com o seu comentário, Ana Lucia.
Meu Deus, meus sais, até ONG tem por aqui. Eu também sou uma não governamental
Bonito é você, Renato, se tiver grana é capaz de ser perfeito.
Fico grata por ganhar o seu voto, João Pedro.
Branca, minha branca, bom recebê-la aqui.
Ignorar a imbecilidade sempre é a melhor atitude, Sumie.
eu gtei mto daqui. e do texto...
ResponderExcluirgostaria de encontrar um bilhete desse tipo logo cedo. (inclua erros ortográficos dos quais sou fã e faço coleção) pra movimentar minha vida "privada"...
mas a vizinhança aqui anda mto ocupada com a produção, os turnos da fábrica...com o carro novo, enfim...
bjos, vou te seguir....
Porra, Dani, acho que prefiro a minha vizinhança mexeriqueira a essa tua que se preocupa somente com o conta-corrente. Mas não posso negar que tenho vivido mais como a tua que como a minha vizinhança.
ResponderExcluirBeijo no coração, menina.
Hoje me sinto uma puta vampira: beijando corações. kakakaka.
Emoldura o bilhete e coloca o quadro na portaria!
ResponderExcluirÉ uma boa idéia, Bípede
ResponderExcluirOutra ideia é fazer dele um cartão de Natal para distribuir na festa do prédio.
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